As ações de combate ao garimpo ilegal no Norte do país já resultaram na apreensão de cerca de R$ 184 milhões em ouro desde 2024, segundo dados de operações coordenadas pelas forças federais. O volume expressivo é reflexo de uma estratégia focada em enfraquecer a logística e o financiamento das redes criminosas que atuam, principalmente, na região da Terra Indígena Yanomami.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2 de dezembro, quando uma aeronave particular, procedente de Itaituba (PA), alterou inesperadamente seu plano de voo e pousou no Aeroporto Internacional de Boa Vista (RR). A mudança levantou suspeitas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que acionou a Polícia Federal. Durante a vistoria, os agentes encontraram 54 barras de ouro, somando aproximadamente 51 quilos, além de munições e uma pistola Glock G25 calibre .380, escondidas tanto na aeronave quanto com os passageiros.
As investigações apontam que o carregamento, embarcado fora de Roraima, pode estar ligado a redes interestaduais de mineração ilegal. Embora as apreensões tenham ocorrido em território roraimense, todo o ouro tinha origem em outros estados, um padrão que se repetiu ao longo do ano.
Apreensões expressivas em 2024 e 2025
As operações fazem parte de um esforço contínuo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF), dentro das ações coordenadas pela Casa de Governo, para desarticular o garimpo ilegal. Somente em 2025, as apreensões em Roraima retiraram de circulação cerca de 215 quilos de ouro, afetando diretamente o funcionamento financeiro da atividade criminosa.
Entre os principais flagrantes estão:
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28 de novembro de 2024: 21 kg de ouro apreendidos pela PRF na BR-174, rota Manaus–Boa Vista.
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Ao longo de 2024: 11,744 kg apreendidos pela PF no Aeroporto Internacional de Boa Vista, em voos comerciais com minério sem comprovação de origem.
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4 de agosto de 2025: 103 kg apreendidos pela PRF na BR-401, a maior apreensão da história da corporação no país.
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10 de outubro de 2025: 11,6 kg apreendidos pela PRF na BR-174.
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20 de outubro de 2025: 37,4 kg apreendidos em veículo na BR-174.
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22 de outubro de 2025: 10,2 kg apreendidos em operação integrada após reforço da fiscalização.
Além dessas grandes ocorrências, pequenas quantidades de ouro — por vezes apenas algumas gramas — são apreendidas diariamente em fiscalizações e incursões federais, elevando o total para 249 quilos desde o início das ações.
Estratégia de sufocamento financeiro
O diretor da Casa de Governo, Nilton Tubino, destaca que a atuação federal evoluiu do bloqueio de rotas para o ataque direto ao principal ativo do garimpo ilegal.
“Os 249 quilos apreendidos em Roraima desde a criação da Casa de Governo demonstram esse avanço. Retiramos de circulação recursos que sustentavam a logística ilegal, com uma estratégia baseada no controle territorial e no estrangulamento financeiro para proteger as terras indígenas”, afirmou.
Segundo o governo, os dados confirmam que o episódio da aeronave não foi isolado, mas parte de um esforço permanente para interromper o fluxo de ouro que circula fora da Terra Yanomami e financia a exploração ilegal dentro dela.
Avanço no controle da Terra Yanomami
Paralelamente às apreensões externas, os indicadores internos apontam melhora significativa no controle territorial. Desde março de 2024, houve redução de 98% na abertura de novos garimpos, resultado de um sistema de comando e controle que permite ações simultâneas e contínuas de fiscalização.
As operações já somam 8.459 ações coordenadas, incluindo fiscalizações terrestres, fluviais e aéreas, destruição de pistas clandestinas e apreensão de combustíveis, motores, geradores, sistemas de comunicação e outros insumos essenciais ao garimpo ilegal.
O prejuízo estimado às organizações criminosas chega a R$ 623 milhões, considerando o valor do ouro apreendido e os impactos diretos do bloqueio logístico. Apenas em novembro de 2025, 22 garimpeiros foram presos durante operações dentro da Terra Indígena Yanomami, reforçando o enfraquecimento das redes ilegais e a redução de sua capacidade operacional.
Escrito pela Equipe do Uiraúna 190



