Organizações humanitárias que atuam no país enfrentam uma das piores crises de sua história após a interrupção de contratos e financiamentos internacionais previstos para 2025 e 2026. A redução dos repasses dos Estados Unidos — principalmente via USAID, agência de assistência humanitária — deixou instituições sem orçamento, com serviços suspensos e equipes trabalhando sem salário.
Uma das entidades mais afetadas é a Cáritas-RJ, referência nacional no atendimento a refugiados e migrantes. Segundo Aline Thuller, coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados, a situação é inédita:
“Em quase 50 anos de atuação, nunca chegamos tão perto de encerrar as atividades”, afirma.
A Cáritas há décadas recebe recursos do ACNUR e de projetos complementares de cooperação internacional. As negociações de financiamento para 2025 já estavam encaminhadas desde o ano anterior, mas, com os cortes anunciados pela nova gestão dos Estados Unidos, a instituição foi surpreendida no início do ano com a informação de que os repasses seriam reduzidos imediatamente.
Sem previsão orçamentária, equipes relatam atraso salarial, suspensão de serviços essenciais e redução do atendimento. Aline, que atua há 18 anos na organização, também está sem receber.
A crise impacta diretamente refugiados, solicitantes de asilo e famílias em situação de vulnerabilidade, que dependem dos programas de acolhimento, documentação, assistência social e integração oferecidos pela entidade.
Outras organizações brasileiras que dependem de verbas internacionais enfrentam dificuldades semelhantes e alertam que, caso não surjam novas fontes de financiamento, 2026 pode marcar o fechamento de diversos projetos de apoio humanitário no país.
Escrito pela Equipe do Uiraúna 190



