O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta sexta-feira (5) que será o representante da família Bolsonaro na disputa pela Presidência da República no próximo ano. A definição partiu do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Flávio visitou o pai na última terça-feira e saiu de lá com a missão de percorrer o país para consolidar sua pré-candidatura. Em anúncio feito nas redes sociais, o senador afirmou assumir a função por determinação da “maior liderança política e moral do Brasil”, exaltou Deus várias vezes no texto e criticou o cenário atual do país, citando perda de renda de aposentados, avanço do narcotráfico, crises na segurança pública, aumento de impostos e falta de perspectivas para crianças brasileiras.
A escolha do primogênito ocorre em meio a disputas internas no bolsonarismo e à pressão de aliados para que Jair Bolsonaro definisse logo quem carregaria seu legado político após se tornar inelegível por abuso de poder político e econômico. Desde a prisão, ele acompanha o processo por meio de recados enviados a visitantes autorizados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro era vista como forte candidata dentro do grupo, mas divergências recentes, como a aliança discutida no Ceará envolvendo o ex-ministro Ciro Gomes, evidenciaram divisões internas. Michelle se posicionou contra a articulação e acabou prevalecendo, o que aumentou o peso de sua influência no PL. Ainda assim, Jair Bolsonaro optou por ungir Flávio, visto como perfil mais negociador e capaz de dialogar com partidos de centro.
Aliados revelam que o ex-presidente orientou o senador a ter postura mais dura contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de reviver o clima de polarização que levou Bolsonaro ao Planalto em 2018, em um cenário muito semelhante ao atual, quando Lula estava impedido de disputar. O deputado Eduardo Bolsonaro, que está morando nos Estados Unidos para evitar medidas judiciais, celebrou a escolha do irmão, declarando que Flávio representará a continuidade do projeto da família contra o que chama de tirania.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, compartilhou apenas a nota oficial do PL com uma mensagem de apoio ao enteado. Ela e Flávio foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes a visitar Jair Bolsonaro por meia hora cada, na próxima terça-feira. No PL, a decisão foi rapidamente acolhida. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que, se Jair Bolsonaro determinou o nome, não há discussão. Ele declarou que o partido seguirá unido em torno da candidatura de Flávio.
Enquanto isso, o Centrão recebeu o anúncio com cautela. Líderes do bloco evitaram entusiasmo e defenderam que a próxima eleição deve priorizar “construção e responsabilidade” em vez de conflito direto, em clara mensagem de desconforto com a retomada da polarização. Para governistas, a decisão fortalece Lula e fragiliza possíveis candidaturas de direita, especialmente a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que agora é visto como favorito para tentar a reeleição estadual em vez de disputar o Palácio do Planalto.
Para o PT, a indicação de Flávio já era considerada inevitável. O deputado Lindbergh Farias declarou que Tarcísio teria dificuldades para ser aceito pelo núcleo ideológico do bolsonarismo, pois a estratégia de sua equipe seria se afastar da imagem de Bolsonaro, que, segundo ele, “seria esquecido na prisão”. A entrada do senador na corrida presidencial reforça a expectativa de que o governador paulista deve recuar de qualquer projeto nacional em 2026.
Escrito pela Equipe do Uiraúna 190



